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ANUÁRIO 2014


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O que ficará na memória coletiva de 2014? No âmbito arquitetônico, longe das arenas mamutes – que não fizeram feio –, destacamos no anuário 2014 nove projetos de programas e projetistas diversos. Um dos pontos em comum é o porte: eles são relativamente pequenos. Mas, se ninguém dúvida da ressonância dos rugidos dos camundongos arquitetônicos desde o Tiempetto, de Bramante, de certa forma não deixa de ser um incômodo em relação ao seu possível alcance social.

Janeiro. O momento histórico da vida privada da construção, ocorrido dia 21 setembro de 2013, foi registrado pela fotografia que adorna a sala íntima: o proprietário deu o primeiro mergulho na piscina. A “mudança” mesmo ocorreu durante os fins de semana de janeiro do verão mais quente da história paulistana. As aspas foram usadas, pois eles não transferiram o endereço residencial: o casal, um professor universitário da USP e uma consultora de moda, continua morando em um apartamento nos Jardins, localizado a cerca de três quilômetros da nova construção. A mudança tem o sentido de modificação de hábitos: cansados das horas perdidas nos congestionamentos que levam ao litoral, eles resolveram construir um refúgio urbano para os dias de ócio.
 
“É impressionante a velocidade que o jardim cresce”, observou Angelo Bucci, autor do espaço, enquanto abria caminho com a mão na hera estrelinha que insiste em cobrir os degraus do primeiro lance da escada para a piscina. Enquanto ele subia, uma minicascata na lateral dos degraus respingava água em seu sapato. Se o som da água corrente cria o clima de paraíso de bolso, seu percurso faz lembrar outros espaços com minicanais, desde Granada, até obras de Kahn, Barragán ou Scarpa. (trecho de "Nove edifícios e 365 dias", de Fernando Serapião)
 
 
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A centenária arquitetura moderna resultou em fracasso retumbante ou sucesso nunca antes visto na história da arte? Esta é a questão que paira sobre a Bienal de Arquitetura de Veneza, encerrada no dia 23 de novembro de 2014. A curadoria de Rem Koolhaas, conhecido por sua inventividade e crítica ácida, trouxe a expectativa de uma exposição reflexiva sobre o estado da arte da arquitetura, em vez de um previsível amontoado de projetos. O holandês, ganhador do Pritzker em 2000 e um dos homens mais influentes do mundo segundo a revista Time, não decepcionou. O resultado foi um exame crítico do legado deixado pelo último século.
 
Quando os pioneiros modernos – como Moisei Ginzburg, Vladimir Tatlin, Le Corbusier e Walter Gropius – lançaram as bases do movimento, os objetivos sociais eram claros: construir infraestrutura e habitação, tanto na União Soviética em rápida urbanização como na Europa Ocidental devastada pela Primeira Guerra. As soluções convergiam para a industrialização por meio do domínio das técnicas produtivas para massificação da arquitetura, até então uma exclusividade das elites. Essas premissas guiavam desde construtivistas soviéticos que viam no desenho um viés revolucionário, até sociais-democratas conclamando o poder da arquitetura para desenvolver o estado de bem-estar social e conter revoltas. (trecho de "Bienal de Veneza revê legado da arquitetura moderna", de Gabriel Kogan)
 
 
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Um número muito grande de pessoas sobrevive em condições impróprias por todo o mundo, e a legião cresce a cada dia. Como representantes das profissões que coletivamente dão forma ao ambiente construído, nós temos a responsabilidade de resistir a esta situação intolerável. Decidimos falar para definir uma posição alternativa. Nós devemos produzir espaços que combatam a exploração, o controle e a alienação, tanto em ambientes urbanos quanto rurais. Com toda a nossa experiência, criatividade e poder, precisamos contribuir de forma mais dinâmica e expressiva na busca mundial por igualdade.
 
Através de uma série de projetos-piloto, nós começamos a investir em uma cultura de projetos mais humanos, trabalhando com uma sólida rede de comunidades, artesãos, planejadores, construtores e organizações. Estas práticas alternativas exigem não só um desenvolvimento mais avançado, mas também um aumento substancial de escala. Guiados por uma compreensão mais profunda das necessidades e aspirações individuais, nossa preocupação fundamental, devemos urgentemente multiplicar esforços para qualificar o ambiente construído com relação aos aspectos ecológico, social e estético e, ao mesmo tempo, desenvolver estratégias projetuais mais eficazes para prever o crescimento futuro em uma escala mundial. (trecho de "Manifesto de Laufen para uma Cultura de Projeto Humanitário")
 


COLABORADORES

Ana Mello

Arquiteta formada no Mackenzie, Ana colaborou nos escritórios Bacco e Aflalo & Gasperini antes de optar pela fotografia. Para esta edição, ela registrou o partido e as luzes do alojamento estudantil no Panamá.

Fernando Serapião

O editor da Monolito descreveu a rotina arquitetônica de 2014 em um diário, anotando fatos arquitetônicos relevantes e os detalhes das principais obras de um ano tumultuado.

Gabriel Kogan

Kogan esteve duas vezes na Bienal de Veneza, e escreveu um artigo sobre o principal evento arquitetônico do ano. De quebra, ele também é coautor de um dos projetos selecionados do anuário.

Leonardo Finotti

Autor das imagens de dois projetos selecionados para esta edição – a Arena do Morro e o CDPP –, Finotti esbarrou, ao fotografar em Natal, com Iwan Baan, cujas imagens estão no ensaio fotográfico da Monolito.

Nelson Kon

Autor das fotos de quatro projetos selecionados para esta edição da Monolito, Kon lançou no final do ano um livro sobre sua obra, o 2º volume da Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira (organizada por Eder Chiodetto).


SUMÁRIO

Textos
Diário: "Nove edifícios e 365 dias", de Fernando Serapião
Artigo: "Bienal de Veneza revê legado da arquitetura moderna", de Gabriel Kogan
Manifesto: "Manifesto de Laufen para uma Cultura de Projeto Humanitário"

Ensaio fotográfico
Iwan Baan

Obras selecionadas
Pavilhão de lazer (2010/2014), São Paulo, SPBR Arquitetos
Alojamento estudantil (2008/2013), Cidade do Panamá, Crafig, Garcias, Guarnieri, Kassai e Gurgel
Centro de Debates de Políticas Públicas (2013), São Paulo, Reinach Mendonça
Arena do Morro (2011/2014), Natal, Herzog & de Meuron
Pavilhão de vidro (2011/2014), São Paulo, Andrade Morettin
Studio R (2008/2012), São Paulo, Studio MK27
Itacolomi 445 (2008/2014), São Paulo, Grupo SP
Conjunto habitacional em Heliópolis (2011/2014), São Paulo, Biselli Katchborian
A Casa – Museu do Objeto Brasileiro (2009/2014), São Paulo, RoccoVidal P+W


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