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ESPAÇO DE TRABALHO


R$ 84,00
Construído pelo homem ou no meio natural, é raro um lugar não ser, para pelo menos uma pessoa, um espaço de trabalho. Acontece, por exemplo, em uma escola para um professor ou uma fábrica para um operário; os agricultores têm o arado no campo e os garis, a sarjeta da rua. Um oceanógrafo acredita que o fundo do mar é seu local de lavor, assim como o interior de uma mina para um minerador. Contudo, para uma parcela significativa da população, quando o tema trabalho está em foco, o que vem à mente são os escritórios.

“É no segundo balcão”, avisou uma das recepcionistas do primeiro posto de atendimento do saguão envidraçado, com pé-direito alto e forro inclinado, no térreo da torre Crystal do Rochaverá Corporate Towers, um complexo de quatro edifícios localizados junto à marginal do Pinheiros, zona sul de São Paulo. Sergio Camargo seguiu a indicação e caminhou nove passos até o segundo dos três balcões que dividem o fluxo de visitantes. Anunciou novamente sua visita à Wunderman, uma agência de publicidade cujos interiores ele desenhou. “Tem cadastro?”, questionou a atendente, de cabelo preso, uniforme azul e nome estampado no crachá. “Qual o número do RG?”, “vai falar com quem?”, seguiram-se as perguntas-padrão, até chegar ao clímax: “Olhe para a câmera que eu vou tirar uma foto”. Em seguida, entregou um cartão magnético que libera a catraca e, sem saber da intimidade do arquiteto com o prédio, instruiu-o sobre a bateria de elevadores que subia até o 23º piso.
 
O saguão estava movimentado pelo fluxo de usuários que voltavam em bandos das praças de alimentação do shopping center vizinho e dos restaurantes a quilo das redondezas. Se na saída para o almoço geralmente a velocidade é acelerada, a volta é caracterizada por passos de tartaruga, com grupos formando paredões paralelos em conversas amenas e gosto de café na boca. Depois de apertar o 2 e o 3 no mostruário digital e confirmar, em segundos apareceu a letra C, indicando o elevador que o serviria. Camargo disse: “O espaço tem 1.700 metros quadrados e nele trabalham cerca de 220 funcionários”. Antes de o elevador chegar, deu tempo de fazer uma conta rápida, que apresentou um resultado impressionante: cerca de 17 mil pessoas trabalhavam no complexo de 120 mil metros quadrados de área de carpete (jargão que estabelece a metragem exata dos escritórios, descontando hall de elevadores, equipamentos e sanitários). (trecho de "Sete metros quadrados", de Fernando Serapião)
 
 
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O Sebrae auxilia desde grandes prestadoras de serviço até vendedores de empadas a empreender e gerir seus negócios por todo o Brasil. Desenhar os escritórios de uma instituição como essa implica também propor novos modos de trabalho no país. Foi assim, através de concurso aberto, que um pequeno escritório localizado em uma edícula do bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, projetou a sede dessa grande agência na capital federal.
 
Apesar da vasta experiência de Alvaro Puntoni e seu estúdio, o Grupo SP estava ainda no começo, com poucos projetos. Era uma startup empenhada em participar de concursos em parceria com outros arquitetos, o que a tornava um ponto de passagem de muitos autores e ideias. (trecho de "Outros horizontes", de Rafael Urano Frajndlich)
 


COLABORADORES

Cristiano Mascaro

O conselheiro de Monolito trabalha em um novo escritório, desenhado por sua filha Teresa Mascaro, suspenso por dois pilares no jardim. Nesta edição, são dele as imagens do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, clicadas em 1986.

Felipe Russo

Com formação de biólogo, Russo começou a carreira em fotografia estagiando na agência Magnum, em Paris. As imagens do edifício Triângulo, de Oscar Niemeyer, em São Paulo, integram suas pesquisas de mestrado na Universidade de Hartford, Connecticut.

Leonardo Finotti

Quando não está fotografando, Finotti trata imagens e responde a e-mails em seu ateliê, em espaço que divide com um escritório de arquitetura em São Paulo. Para esta edição, ele clicou os projetos de Isay Weinfeld e de Bernardes Arquitetura.

Nelson Kon

Depois de captar imagens, em Jundiaí ou São Leopoldo, Kon volta a seu estúdio, desenhado por Angelo Bucci. Ali, para perceber melhor a tonalidade de suas fotos, seu monitor é envolto por parasol (já foi visto coberto por carapuça).

Rafael Urano Frajndlich

Urano trabalha em um galpão, na Vila Madalena, por onde passaram algumas gerações de arquitetos de São Paulo. Na tela de seu computador às vezes estão projetos do 23 Sul, seu escritório, às vezes textos como o que escreveu para esta edição.


SUMÁRIO

Textos
Ensaio: "Sete metros quadrados", de Fernando Serapião
Artigo: "Outros horizontes", de Rafael Urano Frajndlich

Ensaios fotográficos
Cristiano Mascaro, Felipe Russo

Arquitetos
Bernardes Arquitetura, Sede de siderúrgica, Porto Alegre
Loeb Capote Arquitetura e Urbanismo, Centro Tecnológico Mahle, Jundiaí, SP
RoccoVidal P+W, Ateliê e showroom Marisol, São Paulo
Eduardo de Almeida e César Shundi Iwamizu,
Empresa de softwares de gerenciamento, São Leopoldo, RS
Isay Weinfeld, W305, São Paulo
Sub Estúdio, Agência Santa Clara, São Paulo
Alvaro Puntoni, Luciano Margotto, João Sodré + Jonathan Davies, Sede nacional do Sebrae, Brasília
Piratininga Arquitetos, Guedes Nunes Oliveira Roquim Advogados Associados, São Paulo
Dante Della Manna Arquitetura, Proskauer Advogados, São Paulo
Dal Pian Arquitetos Associados, Sede da Natura, São Paulo
SCAA – Sergio Camargo Arquitetos Associados, Wunderman Brasil, São Paulo
FGMF Arquitetos, Casa Rex, São Paulo


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